quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Vergonha alheia



A gente acha mesmo que já viu de tudo nessa vida, até que numa noite tão vazia,
eis que me aparece essa aberração.
Não sei quem dessas criaturas de natureza desconhecida é mais
emo/besta/otário/sem louça pra lavar.
Tudo bem, eu já tive lá minha fase abestada da vida: entupia os olhos de preto,
unha preta, cabelo preto, roupa/sapato/tênis/meia... affs!
Enfim, era uma lady forever alone in the dark.
Fiz lá meus cortes mas cobria com a pulseira pois pelo menos vergonha na cara eu tinha.
Mas não, além dessa criatura chamada Leticia, que deve ter lá seus nove meses de idade mental,
se mutilar por um tal de "Milho Wonka/sabe deus onde deixei meu senso de ridículo",
ainda posta a incrível(só que não) homenagem para o mundo.
Fico imaginando a surra que a minha mãe poderia dar nela no lugar da mãe.
A menina vai crescer, quem sabe tomar "tento", inhae??
Vai fazer uma entrevista de emprego no Mac Donald's e explicar que a marca vai tipo,
super combinar com aquela roupa super na moda/descolada/jovem/soquenao
e ainda com a atual galere do movimento: "vem pra  fase abestaiada você também!"?
...
Pausa para um suspiro.
To naquela expectativa para a próxima postagem, só que com o couro quente de verdade.
Parabéns aos pais que sabem quando se dar uma sova.



Daiane Lopes

sábado, 29 de junho de 2013



Ando mais fora de mim que de costume.
Tentei levar uma vida clichê: Trabalhar, estudar, ter um relacionamento que findasse em um casamento, até o rock eu larguei.
Mas ando saturada.
Não sei mais se quero casar, ter filhos ou mesmo continuar morando aqui.
As pessoas aqui, seus estilos de vidas, toda essa agonia de ser alguém na vida vem me impedindo de respirar serena.
Olho para os lados e não me encontro num ambiente espiritualmente saudável.
Aqui não há respeito, liberdade ou oportunidade.
Penso que um dia terminarei essas contas e sumirei no mundo.
Vou viajar, me manter um tempo onde o tempo esteja refrescante e partir assim que a vida me chamar.
Quero conhecer igrejas, templos, campos e climas. Vai ser a vez de usar a Diana a seu favor.
O meu amor vai ser a natureza, presente de deus.


Daiane Lopes

segunda-feira, 20 de maio de 2013

As pessoas vivem se escondendo.
Padres escondem seu desejo sexual embaixo da batina, políticos escondem sua ganância por trás de suas promessas e há quem se esconda até de quem realmente é.
Talvez eu não tenha nascido para isso.
Sou o que vocês vêem; eu não quero fingir outra coisa para ninguém, muito menos para quem não tem interesse em mim.
Agradar é um dos maiores desafios da vida e eu não quero vencer isso deixando quem eu sou escondida embaixo da cama.
Talvez por isso eu não dure em empregos e nem conquisto várias "amizades".
Porque para se dar bem nessa vida, você(querendo assumir isso ou não) deve se camuflar ao ambiente, não importando se isso te agrade.
Eu não sou gananciosa nem quero conquistar nada nessa vida passando por cima de ninguém, pois remorso é algo que cai bem em mim, e eu não gosto.
Simplicidade me atrai. Me lembra a minha família e onde eu já ensinei.
E não digo isso por todas as tristezas que já passei; mas por todos os momentos humildes que já experimentei.

Daiane Lopes

terça-feira, 13 de novembro de 2012



Antigamente era fácil falar de si.
A gente escrevia algo em um fotolog, pessoinhas vinham nos acalentar e aí ficava tudo bem.
Hoje é tão difícil falar de si. Dá preguiça, vergonha e raiva.
Raiva porque hoje você é maduro o suficiente para saber que quem quer que venha te dizer algo vai dizer o mesmo que todos os outros e que na verdade eles não dão a mínima para você.
O amor me destruiu, me fez envelhecer décadas e me tornou antisocial.
E mesmo triste eu fico bem neste canto de rede, ou na luta, ou no ônibus.

Saudade de quando a alegria cabia numa bacia.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

4 real

Estou precisando mesmo é de uma felicidade incondicional. De pegar um vôo sozinha para Belo Horizonte, depois um ônibus por aquelas ruas esquisitas e feias de tão pichadas; de passar um dia inteiro num sol quente(não tão quente como o daqui) onde mesmo assim as pessoas usam casacos e eu shortinho curto, regatinha e sandália de couro típica do meu cariri; conhecer pessoas lindas de vários lugares e então ficar em tempo de ter um ataque cardíaco quando falta pouco tempo para a garota que escreve e canta a sua vida subir no palco. Menino, aquelas músicas tocando antes do show, aquela multidão passando mal e sendo resgatada pelos seguranças; me arrepio só de lembrar. Quando finalmente, ela aparece como uma estrela, brilhante de encher os olhos. Nada nessa vida nunca me deixou tão feliz. E é exagero? É naaada... Se deus já não realiza nenhum dos meus pedidos, pelo menos esse ele fez de cum força, escolheu o melhor que é pra mim não perder a fé. Se ele realizou o que eu imaginava o desejo mais difícil, o que mais eu posso temer? O resto ou vem façinho, ou que se dane, eu não ligo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Habilite-se(quiser)






















Poderia eu criar um blog e contar meus lamentos ao mundo;
mas isso eu já fiz e já abusei, o mundo também.
Me cansa os pulmões a obrigação de respirar certas saudades.
Uma vez eu me vi prometendo a mim mesma dar importância somente a coisas - que desaforo - que me façam bem; funcionou por umas três semanas.
Mas o que de fato acontece é que se não está longe do nosso alcance, então não há como ser saudade; não há como se sentir incompleto, e logo não há como ser uma pessoa normal.
Eu brinquei disso - de me enganar na anormalia - por vários anos na minha vida; e descobri que depois de tantos "quisera eu", o que eu realmente quero é uma cama para deitar minha cabeça cansada dessa procura clichê do que todo mundo tem mas só enxergamos em quem bem queremos.
O resto é só falta do que fazer.

Daiane Lopes

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Off-season



Não sumi, só não sei onde deixei meu tempo para viver.
E se eu ainda não me matei, é porque estudar e trabalhar me tomam o tempo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011




Eu, do amor, nada sei. Ele é que de mim sabe!

quinta-feira, 14 de abril de 2011


Era Brasil e era favela
E no morro haviam muitos leõezinhos,
pequenininhos e já com juba.
Mas os miúdos se queimavam no sol.
- Corre, Aline! Tira os leãozinho do sol, se não morre!

Leãozinho em favela brasileira não come gente,
Leãozinho não come carne, come mato.
Miudinho entra no balde e sai comendo todos os pedaços de xuxu da água
- Aline, tem que parar de trazer esses bichos pra dentro de casa, isso aqui tá uma bagunça!
- Mas mãe, Daiane disse que se deixar leãozinho no sol, leãozinho morre!

E sai correndo morro a baixo a balançar a juba de caichinhos.
Sonho de menina tem cheiro de chuva no barro.

sábado, 19 de março de 2011

De que vale ter essas tardes tão bonitas se não há como desfrutá-las?
Eu sinto sua falta.
Antes, eu tinha palavras e regras para aprender;
Antes, eu tinha textos para desenvolver; eu tinha a minha vida para viver.
Mas agora eu só tenho a sua lembrança aqui dentro.
Eu tenho que lidar com o vento que o tempo traz e que desfoca sua imagem em minha mente, como se fosse desenhada com areia colorida.
Você sabe exatamente quais são as músicas que me fazem querer escrever isso;
Eu não preciso estar escutando-as para me inspirar, só basta conhecê-las.
Eu vou ficar te esperando, respirando essa saudade de você.
Porque um dia você vai cair em si sobre mim
E então eu não terei mais que me encontrar com você em meus sonhos, tão verdadeiros que me fazem duvidar sobre o que é a realidade.
A verdade é só saudade.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Suas letras tão pequenas e bonitas quanto o seu corpo em breu.
Tão preciosas que dá vontade de pega-las e jogá-las em meus braços em forma de tatuagem;
Para de mim, parte de ti nunca mais sair.

Ano novo de inspiração velha

sábado, 25 de setembro de 2010

De tarde nunca é tarde

Ela nunca tinha achado tão chato ficar sozinha em uma casa sem nada para fazer. É que aquela não era a sua casa e todos de lá estavam em uma capela ali em frente, em um velório e logo seguiriam para o enterro.
Trabalhava para a filha da finada e naquele dia ficaria na casa para atender ao telefone ou alguém que chegasse.
Pela primeira vez não sentiu medo de ficar sozinha na casa de um defunto; pelo contrário, estava entediada de não ter nada para fazer, já que ninguém chegava e para não dizer que o telefone não tocou, uma única pessoa ligou: Era um senhor de voz baixa, meio atrapalhada. Era irmão da finada e se desculpava por não ter ido ao velório/enterro.
A rua começou a ficar bem movimentada, de dentro da casa se ouvia vários carros buzinando. Era hora do enterro.
Decidiu sair e olhar da calçada as pessoas seguirem para o cemitério. Abriu a porta e olhou para a esquerda e para a direita e quando olhou para o centro, em frente à casa, encontrou um olhar simples, mas tão bonito... Olhava profundamente, como se estivesse a fitando desde que abriu a porta.
Ele trabalhava para o irmão da sua patroa e assim como ela, estava ali à toa, apenas tentando ser útil em um momento difícil para quem os empregava.
Dois jovens se passando em um velório. Ela, pelo menos, teve sorte de poder ficar dentro da casa, sem ter que fingir tristeza para desconhecidos.
Corou ao encontrar o olhar dele bem em sua direção.

Um corpo moreno em cima de uma moto negra.

Seu coração disparou ao mesmo tempo em que suas pernas para dentro da casa. Nunca soube lidar com olhares, sempre fugia deles (talvez por isso ainda estivesse solteira em plenos 20 anos, não sabia mais nem como reagiria a um convite de um par de mãos dadas.). Foi até a cozinha e encheu um copo com água, que não bebeu. Ficou pensando nele que ela observou o velório inteiro da calçada e que parecia nem ter notado ela. Sentiu vontade de abrir a porta e convidá-lo para entrar, já que ambos estavam na mesma situação: Se passando.
Mas quando foi lá fora ele já não estava mais lá, ninguém estava mais lá, a rua estava vazia como num dia de domingo.
"Parece que passei tempo demais pensando" Pensou.
Era tarde demais para um começo. Ela tinha se apaixonado por alguém que ela só queria olhar. Passou a tarde inteira imaginando como seria se ele tivesse entrado. Teria lhe contado sobre o seu sonho na noite anterior, onde nele ela tinha uma câmera fotográfica antiga, daquelas que a foto se revela na hora. O sonho era uma reação de um filme que tinha assistido antes de dormir: "Dois dias em Paris"
Se naquele momento ela tivesse uma câmera daquelas, e se ele estivesse ali com ela, teria tirado uma foto dele para nunca se esquecer por quem se apaixonou em um velório. Pelas coincidências e pelos olhares, que era o que mais lhe importava.
Não estava triste, tinha se apaixonado por um dia e sido correspondida por alguns segundos de olhar, que é melhor do que nada.

No dia seguinte estava distraída escrevendo sobre isto na loja quando apareceu alguém pedindo para pôr crédito em seu celular. Como sempre, nunca olha no rosto dos clientes (e de quase ninguém). Anotou o número, perguntou o valor e quando foi entregar o comprovante, as mesmas mãos que pegaram o papel tocaram suas mãos, ao mesmo tempo. Sua primeira reação foi se afastar (pra variar) e quando levantou a cabeça, aqueles mesmos olhos que ontem a apaixonara, hoje lhe sorriam, de forma convidativa. Ou avisativa:
"Nós continuaremos a nos ver"


Daiane Lopes 24/09/2010